MENINO DE QUEM MAXWELL USOU A IDENTIDADE POR QUASE SEIS ANOS VAGA PELAS RUAS DE CAMACAN E TEM PROBLEMAS COM DROGAS
No meio da Praça Bené, centro de Camacan, um grupo de meninos vende pastéis e suco de maracujá em uma barraquinha improvisada. A reportagem do GLOBOESPORTE.COM pergunta sobre o paradeiro de Jorbison Reis dos Santos. A resposta de um deles vem rápida:
- O Jorbison ou o Jorbison Gato?
Jorbison, o original, teve sua identidade usada por Maxwell Batista da Silva desde 2006 quando foi jogar no Artsul, passou por Grêmio e chegou ao Flamengo. Ele nasceu em 1991 e o garoto que assumiu sua identidade era dois anos mais velho. Outro menino se debruça na janela do carro, comenta e pergunta ao repórter:
- Você é empresário de futebol? Aqui tem muito gato.
A história do verdadeiro Jorbison não tem o glamour dos boleiros. Segundo vários depoimentos ouvidos em Camacan, ele chegou a tentar a sorte no grupo de dança Desejos ao lado do irmão, Jonathan. Com o fim do grupo, os dois costumam ser vistos perambulando pelas ruas.

Frame do Grupo Desejos, em que o verdadeiro
Jorbison dançava (Foto: Reprodução)
Jorbison dançava (Foto: Reprodução)
- Eles não têm ninguém olhando por eles, não, desde que se envolveram com coisa ruim - disse o dançarino de outro grupo, que pediu para não ser identificado.
Por "coisa ruim" entenda-se "drogas". Em Alagoas, onde tenta retomar sua carreira no Corinthians local, Maxwell, o ex-Jorbison, confirma o envolvimento mas diz querer ajudar o dono do nome que carregou por seis anos:
- Não gosto de falar muito sobre isso. Ele está com problemas e quero ajudá-lo – resumiu Maxwell.
Maxwell, na verdade, sentiu medo. Quando soube do envolvimento do conterrâneo com drogas ele se preocupou porque, para o resto do mundo, ele era Jorbison.
- Podia pegar pra mim - admitiu.
Com o nome de Jorbison, Maxwell Batista da Silva chegou ao Flamengo em 2006 como promessa de ser um substituto de Juan na lateral esquerda. Conviveu com seus ídolos, conheceu a Cidade Maravilhosa e as ofertas e tentações que cercam um jogador de futebol.
Quase ao mesmo tempo, o verdadeiro Jorbison Reis dos Santos ensaiava passinhos de dança pelas ruas da pequena cidade, onde é chamado de “Bibi”. Ele nunca ligou muito para o futebol, preferia o ensaio das coreografias e passinhos do grupo Desejos, ao lado do irmão Jonathan.
- Ele era boa gente, mas se perdeu com as drogas, já roubou galinha e uma bicicleta de uma casa. Ele some, depois aparece perambulando, cata papelão para conseguir dinheiro para comprar as pedras (crack), pega resto de pastel no lixo. Vez ou outra, a mãe tem que aparecer para tentar levá-lo para casa, senão ele dorme na rua mesmo – afirmou um amigo de Jorbison, que trabalha como motoboy em Camacan.
O drama do verdadeiro Jorbison é de conhecimento de todos na pequena cidade do sul baiano. Os parentes de Maxwell que moram na cidade também sabem do problema.
Cenilton Pereira dos Santos, pai de Jorbison, se separou da mãe, Edineia Pires dos Reis, há alguns anos. Os dois residem em Camacan, mas longe dos holofotes por conta dos problemas com os filhos. Segundo pessoas que conhecem a família, o “gato” teria tido o aval de ambos. Em documentos a que o GLOBOESPORTE.COM teve acesso, Cenilton e Edineia assinam os pedidos do falso Jorbison - na verdade, Maxwell.
Em Camacan, o nome Jorbison gera reações distintas, mas duas certezas: existe o verdadeiro que sonhou ser dançarino, mas sucumbiu às drogas; e o falso que, mais do que ex-jogador do Flamengo, virou referência como "gato" em cada esquina ou praça da pequena cidade.

Certidão original de Jorbison, com nascimento em 1991. Maxwell nasceu em 1989 (Foto: Reprodução)
fonte otempojornalismo
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